As pessoas são fascinadas por gêmeos. Como eu não sou gêmea e nem nunca tive primos, amigos, conhecidos e nem mesmo colegas da aula de inglês que fossem gêmeos, essa curiosidade tinha me passado despercebida até que, há mais ou menos 10 anos, dei à luz duas meninas que, sim, são gêmeas.
Descobri que ninguém resiste a um carrinho duplo, as pessoas simplesmente têm que chegar perto e dar uma “espiadinha”. Aí, vêm, é claro, perguntas... Ah! As perguntas... Depois de ter minhas filhas, aparentemente passei a viver num mundo paralelo onde é completamente normal pessoas estranhas te abordarem com todo tipo de perguntas, não importa o quão bizarras ou íntimas.
A mais comum: “É gêmeos?”. Você imaginaria que o poder de concordância do indivíduo médio fosse mais elevado, não? Mas 97,6% dos transeuntes que avistam um carrinho duplo fazem essa pergunta. É verdade, está cientificamente comprovado (por mim).
Depois de repetir milhares de vezes que “sim, são gêmeas”, eu passei a usar a criatividade e responder coisas do tipo:
- Não, uma é minha a outra é da vizinha.
- Não, uma é a original e a outra é xerox.
- Não, elas têm três anos de diferença.
- Não, uma é a original e a outra é xerox.
- Não, elas têm três anos de diferença.
Ou então uma alternativa mais radical:
-Gêmeos? Aonde? (rápida olhadela para o carrinho) Socorro!!!! Alguém colocou um bebê no meu carrinho!!!!
Aí vem a inevitável segunda pergunta: “São idênticas?” Caramba! Será que o povo todo tem problema de visão? Eu até entendo que bebezinhos pequeninhos são todos meio parecidos, mas as pessoas me perguntavam isso quando as minhas filhas já eram crescidinhas e, detalhe: uma era morena com o cabelo liso e a outra loira de cachinhos!
Independentemente da resposta à pergunta anterior, o checklist do transeunte que se depara com uma mãe e seus bebês gêmeos fatalmente inclui alguma referência à placenta. “É de uma placenta só ou duas?”. Deixando de lado um pouco a questão da concordância para não ficar repetitiva, eu pergunto: Que diferença faz? Quem no mundo quer discutir detalhes da sua PLACENTA com o encanador/peixeiro/atendente da lavanderia/frentista, ou qualquer outra pessoa aleatória que passa pelo seu caminho diariamente? Eu não.
Também tem a clássica: “Você é mais apegada a qual das duas?”. Isso na frente de duas meninas de três anos olhando para autor da pergunta com os olhos arregalados. Hum-hum, eu vou te responder isso, claro, afinal o que são 10 anos de análise para a “menos apegada”? Bobagem!
E para completar, não dá para deixar de fora a pergunta final (invariavelmente acompanhada de uma expressão facial engraçadinha): “E aí, você fechou a fábrica?”. Desculpem, podem me chamar de rabugenta, mas por algum motivo eu prefiro manter a minha escolha sobre métodos contraceptivos de fora da conversa com a caixa do supermercado. Mas sei lá, vai ver que eu que estou errada...
