Dependendo do ângulo que você olhe, a minha vida é perfeita ou um perfeito caos.
Eu sou jovem, tenho trinta-e-poucos anos, sou casada, tenho três filhas lindas, uma profissão que eu gosto e que me paga bem. Trabalho em casa e faço o meu horário. Tenho uma casa legal e meu marido gosta de cozinhar, então sempre temos amigos para jantar. Meu marido tem a empresa dele e aproveitamos a flexibilidade dos nossos trabalhos para aproveitar a vida ao máximo, viajando, saindo, fazendo o que temos vontade.
Ou...
Já estou chegando aos quarenta. Meu Deus! Onde foram parar esses anos todos? Eu juro que ainda ontem eu tinha 22. Sou casada e tenho três filhas e tenho que administrar esse pessoal todo, marcar médicos variados, de especialidades variadas para pessoas variadas, levar no colégio, mandar trocar a sola do sapato, levar no balé, levar uma para apertar o aparelho, fazer compras, passar pomada na alergia, levar para apertar o aparelho, comprar comida prá tartaruga, comprar outro uniforme de educação física (que o do mês passado já furou), levar para apertar o aparelho, comprar o queijo que o marido não vive sem e chamar o homem da Net. Ah, e levar para apertar o aparelho. E fazer terapia.
Eu trabalho em casa e vou esganar a próxima pessoa que me olhar com cara de quem acha que “trabalhar em casa” é “trabalhar mais ou menos”. Eu tenho cliente e prazo como qualquer um, só que enquanto a maioria fala no telefone com seus clientes sentada numa mesa de escritório, com no máximo uma musiquinha ambiente ao fundo, eu falo com os meus enquanto faço uma maria-chiquinha em uma criança, aparto a briga entre as outras duas com o pé e tento transmitir para a empregada através de uma série de caretas prá combinadas o que é para fazer para o jantar.
Sabe fim-de-semana? Pois é, eu não. Eu trabalho tanto nos fins-de-semana que quando, por algum milagre, eu não trabalho em algum minha família fica me olhando com cara de “o que vamos fazer hoje com essa estranha?”.
Exageros a parte, esse blog é sobre essa loucura de “tudo-ao-mesmo-tempo-agora” de tentar ser boa profissional sem deixar de ser uma excelente mãe, estar presente sem ser grudenta, criativa, mas pé-no-chão, tudo isso sem perder o bom humor e a capacidade de rir das bizarrices do dia-a-dia.
Se você gosta de viajar, ler, cozinhar, ir ao cinema, ao teatro, jogar bolinha de gude ou simplesmente jogar conversa fora, puxa uma cadeira, pega uma latinha de coca light (ou uma dose de uísque – o fígado é seu, fique à vontade) e sinta-se em casa.
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